CUTUCA MEU PEITO INCUTUCÁVEL (CD)

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O mais novo trabalho de Túlio Borges! (FRETE GRÁTIS)

"A paixão é humana. É desumana. Feita de punhal e plumas, dentes e unhas. É feita de pólvora a paixão. Não é coisa de gente, de pessoa mulher ou homem, de crente ou descrente. É coisa de macho e fêmea, coisa de carne gêmea. A paixão é animal. É sêmen, saliva, cheiro, pelos, suor e sal. É vital a paixão. É o doce azar da sorte. A paixão é coisa de bicho. Não é amor, carinho, beijo, sentimento, arrepio, suspiro. A paixão é pedra, não é cisco. Não é desejo à toa. Não é uma anca boa, não é um tórax bonito. A paixão é instinto. É lobo cego e faminto uivando pra qualquer norte. É vermelho nos olhos do touro na arena. Não é amena, não é serena. A paixão não é coisa pequena. É maior que a lei, que a religião. É maior que a consciência a paixão. É arma de caçador, presas de predador, é foice nas mãos da morte. A paixão é um bicho indomável e forte. É incontrolável músculo, inacessível juízo. É ferida aberta. É olho cego a paixão. É furacão, é terremoto, é tsunami. A paixão desconhece títulos, limites, moedas, nomes. É tufão, é erupção, é incêndio, é inundação. É sede e fome a paixão. É raio certeiro na cabeça, faz que o sangue suba e desça como ressaca de mar. É castelo de areia, feita de fio de teia. É barco à deriva, nave perdida. É casa feita na encosta com janela sem vista, é torre erguida na lama. É ponteiro de ampulheta e tem hora de acabar. A paixão não é centelha, faísca, chama. É inflamável a paixão, é súbita combustão. A paixão não espera a cama, se alastra por qualquer chão. É emergente, absorvente, inelutável. A paixão é adorável, a paixão merece palmas. É deus sem alma, é corpo sem espírito. O dedo em riste faz alegre quem é triste, faz curvar quem não se curva. Nas veias do condenado é cobra que se arrasta. A paixão nunca diz não, a paixão nunca diz basta. É cruz, abdução, posse, incorporação. É rara como ouro no garimpo velho, como diamante bruto. A paixão é mistério. É codinome da tara, é dentada no fruto. É gozo, é gemido, é gana, é grito. A paixão é bicho bruto. É racha da sola do pé ao topo da cara. É dedo no vão, fuça no umbigo. É turbina de língua nos buracos, no ouvido. É tirania, é ditadura. A paixão só tem corte, não tem cura. Não é feita de versos, só de juras. É palavra que mente, é verdade que cessa. A paixão é uma ordem, uma pena, uma sentença, uma pressa. É promessa vã. É o canto do galo nas manhãs. A paixão cutuca o peito e ai de quem não se dobrar."

Renato Fino

 

Produzido e arranjado por Túlio Borges
Gravado nos estúdios Feedback, Orbis e G2D
Mixado por Daniel Félix no estúdio MixRuts
Masterizado por Alexandre Bursztyn no estúdio Watacoco
Programação visual: Renato Cunha
Arte: Tina Berning

Outubro/2017

 

01. Contracachimbo da paz
(Túlio Borges / Jessier Quirino)

02. Concreto, amor e canção
(Túlio Borges / Ana Reis)

03. Ela levantou os braços e eu morri de amores
(Afonso Gadelha / Túlio Borges)

04. Curvas
(Zeto)

05. Grandes olhos
(Aldo Justo / Alexandre Marino)

06. Cantiga
(Clodo Ferreira / Clésio Ferreira)

07. Vem não
(Túlio Borges / Climério Ferreira)

08. Enxerida no contexto
(Túlio Borges / Jessier Quirino)